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13 ago 2020 | AUTOR: Dra. Silviane Praciano Bandeira - CRM: 9122

Febre Amarela: o que é, sintomas, transmissão e como tratar

A Febre Amarela é uma doença infecciosa febril aguda que apresenta grandes riscos a saúde pública. A boa notícia é que é uma doença evitável por vacina. Entenda o que é, os sintomas, transmissão e como tratar a febre amarela:

O que é?

O que é Febre Amarela?

A Febre Amarela (FA) é uma doença infecciosa febril aguda, que apresenta grande importância epidemiológica pelo risco de disseminação para locais que são mais vulneráveis, além de apresentar quadros graves com taxa elevada de letalidade. Atualmente a doença consta na lista de notificação compulsória imediata do Ministério da Saúde.

Transmissão

Transmissão: Qual é o nome do vírus da febre amarela?

A doença é uma arbovirose causada por um Flavivirus, da família Flaviviridae, que se transmite através da picada de mosquitos.

Apresenta dois ciclos de transmissão. No ciclo silvestre, o vírus é transmitido principalmente por mosquitos dos gêneros Haemagogus e Sabethes, sendo primatas seus principais hospedeiros. Neste ciclo, o homem pode funcionar como hospedeiro acidental quando, não imunizado, é inserido em ambiente selvagem por ocasião de trabalho ou turismo. Essa infecção do homem dentro do ambiente silvestre representa o elo potencial entre os ciclos.  Já no ciclo urbano, a transmissão ocorre pela picada de Aedes aegypti e o homem representa o hospedeiro de importância epidemiológica. 

Sintomas

Quais os sintomas da febre amarela?

As manifestações clínicas da doença variam desde quadros assintomáticos a casos graves potencialmente letais. O período de viremia ocorre cerca de 24 a 48 horas antes do início dos sintomas e permanece até cerca de 5 dias após. A febre amarela apresenta período médio de incubação de 3 a 6 dias, podendo ser até de 15 dias.

Quando sintomática, apresenta, no início, quadro clínico bastante inespecífico, assemelhando-se ao de outras viroses e inclui:

  • Febre de início abrupto; 
  • Calafrios;
  • Cefaleia;
  • Mialgia;
  • Adinamia. 

Mãe medindo a febre da filha

Em uma pequena parcela dos pacientes sintomáticos (cerca de 15%), a doença pode assumir caráter bifásico, assumindo maior gravidade após período de melhora clínica e apirexia. Trata-se da forma grave da doença e apresenta:

  • Febre elevada; 
  • Náuseas; 
  • Vômitos, 
  • Dor abdominal; 
  • Icterícia;
  • Manifestações hemorrágicas como melena, epistaxe, hematêmese; 
  • Falência de múltiplos órgãos, sobretudo hepática e renal. Esse quadro clínico pode ser agravado e evoluir com alterações neurológicas com meningite, rebaixamento de sensório, estado comatoso e óbito. 

A letalidade é variável, porém elevada e depende, dentre outros fatores, do diagnóstico adequado e das medidas de tratamento adotadas. 

Áreas de risco

Quais as áreas de risco de febre amarela?

Até recentemente, a doença se limitava a áreas restritas em nosso país, consideradas endêmicas. Contudo, temos observado, nos últimos anos, uma rápida expansão para territórios que até então eram considerados de baixo risco para a doença, sobretudo na região sudeste do Brasil. Áreas da costa leste brasileira com bioma de mata atlântica passaram a apresentar casos de doença em homens e animais. Até o momento, apenas o ciclo silvestre da doença tem sido observado, entretanto esses dados atuais demonstram o avanço da patologia, atingindo proximidades de regiões densamente povoadas com indivíduos suscetíveis, demonstrando um risco para reurbanização da patologia, já que o último caso de Febre Amarela urbana ocorreu no Acre em 1942.

Diagnóstico de Febre Amarela

Para o diagnóstico de Febre Amarela, os aspectos clínicos e epidemiológicos são de essencial importância. Definir a procedência do paciente, sua exposição a áreas de risco, histórico de viagens a localidades afetadas pela doença e situação vacinal são informações valiosas para o diagnóstico adequado.

Após a avaliação clínica e exame físico detalhados, alguns exames são importantes para diagnóstico.

Os quadros mais leves apresentam evolução autolimitada e as alterações laboratoriais são inespecíficas com leucopenia e elevação sutil ou moderada de transaminases. As formas mais graves cursam com leucopenia e neutrofilia, plaquetopenia, aumento de transaminases, fosfatase alcalina e gama-GT,  hiperbilirrubinemia, disfunção renal com elevação de ureia e creatinina, além de alterações de provas de coagulação.

É desejável firmar o diagnóstico de forma assertiva. O suporte laboratorial específico para casos de Febre Amarela inclui exames que detectam o vírus de forma direta como no isolamento viral e reação em cadeia da polimerase (PCR), além de exames que detectam sua presença de forma indireta mediante produção de anticorpos, como é o caso dos testes sorológicos. O isolamento viral deve ser realizado nos primeiros cinco dias da doença. 

PCR para detectar febre amarela

A PCR emprega a técnica em tempo real (RT-PCR) e se aplica também até os primeiros cinco dias do início dos sintomas. Pode ser realizada em diferentes materiais clínicos. É realizado mais frequentemente em amostras de sangue e detecta a presença do RNA viral em amostras do paciente.

Sorologia para febre amarela

A sorologia para pesquisa de IgM e IgG pode ser realizada por diversas metodologias, entretanto a mais frequentemente empregada na rotina diagnóstica é a imunofluorescência indireta (IFI). Com sensibilidade e especificidade em torno de 95%, a IFI pode ser realizada em plasma ou soro.

Os títulos de IgM começam a ser detectados geralmente nos primeiros dias do início dos sintomas. Um pouco mais tarde começam a ser detectados anticorpos IgG.  Em alguns casos nos quais não ocorre a detecção de IgM, uma análise pareada de IgG pode também definir infecção recente, quando os títulos sofrem elevação progressiva nas amostras. As reações cruzadas por este método podem checar a 10%, sofrendo interferência sobretudo com quadros causados por outros Flavivirus.   

Tratamento

Tratamento da febre amarela

Não há tratamento específico para Febre Amarela. Para o tratamento sintomático é utilizado analgésicos e antipiréticos, repouso e monitoramento de sinais de agravamento são muitas vezes suficientes. O suporte hospitalar pode ser necessário e, em quadros mais graves, internação em Unidades de Terapia Intensiva é fundamental.  

Prevenção

Prevenção: vacina contra febre amarela

A vacina de febre amarela é a principal responsável pelo controle epidemiológico da doença na população suscetível. A vacina apresenta elevada imunogenicidade (mais de 90% de proteção) e os anticorpos protetores surgem geralmente após sete a dez dias após a aplicação. Esse prazo justifica a recomendação da vacinação no mínimo 10 dias antes de deslocamentos para áreas de risco da doença.

Conforme o calendário vacinal da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), a vacina deve ser aplicada a partir de nove meses de idade. Essa estratégia de vacinação em crianças pequenas (aos 9 meses de idade) pode não acarretar taxas satisfatórias de soroconversão. Por isso, há a recomendação de uma dose de reforço aos 4 anos de idade.

Para adultos, o esquema atualmente recomendado inclui uma única aplicação subcutânea para proteção para a vida inteira, em consonância com a Organização Mundial de Saúde.

De forma progressiva, o Ministério da Saúde expandiu as áreas de recomendação de vacinação para todo o território nacional. Por se tratar de vacina de vírus vivo atenuado, a aplicação é contraindicada para pacientes em imunossupressão. Casos especiais como gestantes, alérgicos a ovo e maiores de 60 anos devem ser avaliados individualmente para analisar o risco-benefício da imunização.   

Medidas de proteção

Medidas de proteção como uso de roupas de mangas compridas e calças, aplicação de repelentes, uso de telas nas janelas e evitar áreas de mata são complementares na estratégia de prevenção à doença em áreas afetadas.

Para áreas rurais em que o ciclo silvestre da doença ocorre, a observação de mortandade de primatas não humanos funciona como incidente para maior circulação do vírus.  Em áreas onde ocorrem epizootias, aumenta consideravelmente a chance de casos em humanos. A observação desse acometimento animal é muito importante para adoção de medidas mais efetivas de controle. O extermínio dos animais pela população, na realidade, reflete o desconhecimento sobre o ciclo da doença e dificulta a detecção deste importante marcador da intensidade de circulação viral. 

 

Veja também: HPV na boca

Veja onde se vacinar em Locais de Aplicação

 

Fontes

Cancado B, Aranda C, Mallozi M, Weckx L, Sole D. Yellow fever vaccine and egg allergy. Infect Dis, 19(8), 813, 2019  doi: 10.1016/S1473-3099(19)30355-X

Doenças Infecciosas e Parasitárias: Guia de Bolso, 8ª edição revista. Ministério da Saúde Brasília-DF,  2010

Febre amarela: guia para profissionais de saúde. Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde. 1ª edição atualizada, Brasília, 2018

Febre amarela: Informativo para profissionais de saúde. Sociedade Brasileira de Infectologia. 2017

Goldani LZ. Yellow fever outbreak in Brazil, 2017. Braz J Infect Dis. 21 (2):123-124, 2017  doi: 10.1016/j.bjid.2017.02.004

Instituto Oswaldo Cruz. Febre amarela: sintomas, transmissão e prevenção.  disponível em www.bio.fiocruz.br

Ministério da Saúde. Febre amarela: sintomas, transmissão e  prevenção. Disponível em www.saude.gov.br

Ministério da Saúde do Brasil. Portaria n°  204, de 17 de fevereiro de 2016

Miranda LJC, Agena F, Sartori AMC, David-Neto E, Azevedo LS, Pierrotti LC. Awareness of inadvertent use of yellow fever vaccine among recipients of renal transplant. Transpl Proc,  52 (5), 2020  doi.org/10.1016/j.transproceed.2020.02.182

Sociedade Brasileira de Imunização (SBIm). Calendário de vacinação. Disponível em www.sbim.org.br/calendarios-de-vacinacao

Sousa, M V, Zollner, R L., Stucchi, R S B., Boin, I F S F., Ataide, E C., Mazzali, M. Yellow fever disease in a renal transplant recipient: case report and a literature review. Transpl Infect Dis, 2019 doi: 10.1111/tid.13151.

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