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19 ago 2020 | AUTOR: Dr. Victor Augusto Camarinha de Castro Lima - CRM: 171392

Poliomielite: sintomas, tratamento e o risco de casos com a baixa da cobertura vacinal

A poliomielite é uma doença aguda causada por vírus, altamente contagiosa, que acomete principalmente crianças, e pode causar sintomas neurológicos, como a paralisia de membros.

É uma doença prevenível, sendo a vacinação recomendada para as crianças menores de 5 anos.

Entenda mais sobre a poliomielite, os sintomas, tratamento e como se prevenir: 

O que é?

O que é poliomielite?

A poliomielite é uma doença causada por vírus com grande capacidade de transmissão e potencial de deixar sequelas incapacitantes. Ela acomete principalmente crianças menores de cinco anos e, por isso, é também conhecida como paralisia infantil.

Criança de cadeiras de rodas com sintomas de poliomelite

Sintomas

Sintomas da poliomielite

A doença é assintomática na maioria das pessoas que têm contato com o vírus, mas pode causar sintomas leves, como:

  • Febre;
  • Enjoo;
  • Vômitos;
  • Dor abdominal;
  • Diarreia;
  • Dor de cabeça;
  • Tosse e coriza.

Na minoria dos casos, a doença acomete o sistema nervoso, causando paralisia. No entanto ela pode permanecer como uma sequela, com grande impacto na vida da pessoa que teve a doença.

Como é transmitida?

Como é  transmitida a poliomielite?

A poliomielite é causada por um dos três sorotipos do Poliovírus, que são transmitidos via fecal-oral de forma direta, de pessoa para pessoa, ou indireta, através de água ou alimentos contaminados.

Como é feito o diagnóstico?

Como é feito o diagnóstico da Poliomielite?

O diagnóstico da poliomielite é na maioria das vezes clínico e dificilmente consegue ser estabelecido com os primeiros sintomas da doença, que são inespecíficos e podem ser causados por outros vírus ou agentes infecciosos. A suspeita ocorre em casos de paralisia dos membros em pessoas sem histórico de imunização adequada. 

Exames complementares, como a análise do líquor e a eletroneuromiografia podem auxiliar a estabelecer o padrão do acometimento neurológico. Outros exames confirmatórios para a infecção por Poliovírus não costumam estar disponíveis na rotina laboratorial e são realizados apenas em centros de pesquisa.

Tratamento

Como é o tratamento da poliomielite?

Não há um tratamento específico para a poliomielite. Para os sintomas iniciais são recomendadas apenas medicações sintomáticas: como remédios para dor e enjoo. Pessoas com acometimento neurológico na maioria das vezes precisam ser hospitalizadas e realizar um trabalho de reabilitação motora, no caso da paralisia.

Adolescente com muletas

Vacina

Qual a vacina da poliomielite?

Existem duas vacinas de poliomielite: a vacina oral poliomielite (VOP) e a vacina inativada poliomielite (VIP).

A VOP, famosa “vacina das gotinhas”, foi desenvolvida por Albert Sabin e teve seu uso implementado em 1961. É uma vacina administrada por via oral, que usa o vírus da poliomielite atenuado, ou seja, “enfraquecido”, e bivalente, protegendo contra dois tipos de Poliovírus. Ela tem uma alta capacidade de gerar resposta imune no organismo, pois o sistema imunológico entende que se trata da própria infecção pelo vírus, como uma simulação, mas de forma segura. Esta vacina tem o risco de apresentar eventos adversos mais preocupantes, como um quadro de poliomielite ou meningite associadas à vacina.

Esses efeitos são muito raros na população em geral e a VOP é considerada uma vacina segura, no entanto, existem alguns grupos de risco que esses eventos são mais comuns, e, portanto, são contraindicados de tomar esta vacina, são eles:

  • Pessoas imunocomprometidas (que tenham alguma doença ou usem algum remédio que diminua a imunidade);
  • Gestantes;
  • Pessoas que já tiveram algum desses eventos;
  • Pessoas que tenham contato algum desses grupos de risco.

A VIP foi desenvolvida por Jonas Salk da Universidade de Pittsburgh em 1952 e começou a ser utilizada em 1955. Ela é uma vacina inativada trivalente, ou seja, não é composta pelo vírus em si, mas por partículas deste, e protege contra os três sorotipos do Poliovírus, sendo aplicada através de uma injeção via intramuscular. A VIP é associada a menos eventos adversos e mais brandos, comparada com a VOP, sendo os principais:

  • Dor e calor no local da aplicação;
  • Febre;
  • Reações alérgicas.

Histórico de reação anafilática é a principal contraindicação para administração da VIP.

Ela pode ser encontrada, além da sua apresentação individual, também associada a outras vacinas, como na vacina quíntupla acelular, em conjunto com a Tríplice Bacteriana (DTPa) (que protege contra difteria, tétano e coqueluche) e HIB (que protege contra doenças invasivas causadas pela bactéria Haemophilus influenzae tipo b), e na sêxtupla acelular, que protege, além das doenças já citadas, também contra hepatite B.

O risco de casos com a baixa cobertura vacinal

Desde 1988, quando a Organização Mundial da Saúde lançou a iniciativa para erradicação global da poliomielite, o número de casos da doença diminuiu de uma estimativa de 350 mil, distribuídos por 125 países naquele ano, para 175 casos em 2019. No mundo, três países ainda têm a circulação do vírus selvagem (ou seja, não relacionado à vacina): Nigéria, Afeganistão e Paquistão. A vacinação em massa contra a poliomielite tem sido o pilar fundamental para o controle dessa doença em todo o mundo.

No Brasil, o último caso de poliomielite causada por vírus selvagem ocorreu em 1989. O país tem como principais estratégias para o controle da doença: campanhas de vacinação em massa e notificação compulsória de casos de paralisia. No entanto, um alto grau de vigilância e altas taxas de cobertura vacinal na população são essenciais, pois nada impede de um vírus importado entrar em circulação no país.

Vacinar a criança contra a poliomielite é protegê-la de uma doença prevenível e que pode deixar sequelas graves, e também proteger toda a comunidade que está ao seu redor. Vacinar é preciso!

 

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