Agende já suas vacinas
Vacinas
18 ago 2020 | AUTOR: Dra. Myrna Perez Campagnoli - CRM: 22616

Vacinas na adolescência e a importância da imunização nessa fase

Vacinação na adolescência: reforço de imunidade e complementação do calendário vacinal

Cuidados de saúde na adolescência

A adolescência é a fase de transição entre a infância e a vida adulta. Por lei, a adolescência dura dos 12 aos 18 anos. Para a Organização Mundial da saúde (OMS) a adolescência compreende o período de vida entre 10 e 20 anos incompletos.

 Na prática, as variações neste conceito ocorrem pois existe um processo metabólico- hormonal, chamado puberdade, que ocorre concomitantemente a este período. Como a puberdade pode acontecer em uma faixa mais ampla de idade, podemos ter a adolescência ampliada ou reduzida se avaliarmos sob esse aspecto.

A puberdade, e por consequência a adolescência, é um período de muitas mudanças físicas, hormonais e psicológicas. Soma-se a isso o amadurecimento psíquico, descobertas afetivo-sexuais, discernimento comportamental, inserção sociocultural e espiritual em grupos afins, com a busca de projetos de vida e outra percepção do mundo, configurando o processo da adolescência em uma “fase de construção” do indivíduo adulto.

Existe muita preocupação em relação aos cuidados de saúde do adolescente pois o atendimento e a abordagem terapêutica diferem da pediatria e do atendimento do adulto. No atendimento dessa faixa etária é importante a participação ativa e protagonista do adolescente, com a colaboração dos pais ou responsáveis. Existe a necessidade de sigilo em situações que não representem risco ao adolescente e a conversa franca sobre as opções terapêuticas e recomendações.

O conhecimento dos adolescente acerca da importância da vacinação é muito variável e em muitos casos existe a interferência de mídias anti-vacinas, o que pode contribuir para as baixas taxas de cobertura vacinal entre os adolescentes.

Além de todos esses fatores acima descritos, o adolescente realiza poucas consultas de rotina, reservando a visita ao pediatra quase que exclusivamente para momentos de queixas ou sintomas.

Portanto, a abordagem da vacinação em consultas habituais ou eventuais, bem como a exposição dos benefícios da prevenção, da baixa incidência de efeitos adversos e dos riscos associados ao desenvolvimento de doenças imunossuprimidas é essencial para reverter o cenário atual da vacinação na adolescência.

Imagem ilustrada mostrando o calendário para vacinação

Existem vacinas que são recomendadas a partir dessa faixa etária, como o HPV, e outras que necessitam de reforço nesta fase para complementação da imunidade.

A adolescência é uma excelente oportunidade para se resgatar esquemas vacinais incompletos ou até, para se iniciar qualquer esquema vacinal que não tenha sido realizado na infância.

Quais as vacinas podem ser aplicadas em adolescentes?

Tríplice ou Tetra viral

Tríplice (VTV, MMR) ou Tetraviral

Protege contra rubéola, caxumba e sarampo.

O esquema vacinal completo engloba duas doses a partir de 1 ano de idade com intervalo de 30 dias entre elas.

Para adolescentes que não receberam a vacinação e que não desenvolveram a doença varicela (catapora) pode ser associada a vacina contra a varicela, de forma combinada (tetraviral) ou isolada (Tríplice viral + varicela)

Hepatites

Hepatites A, Hepatite B e Hepatite A + B

São importantes para quem não foi vacinado na infância, e existe uma grande parcela da população entre 10 e 20 anos que não recebeu o esquema completo de doses.

O esquema vacinal completo contempla duas doses da Hepatite A, com intervalo de 6 meses entre elas. E três doses da Hepatite B, no esquema zero, 1 e 6 meses.

Existe a opção da vacina combinada de Hepatite A e B que pode ser administrada em duas doses para menores de 16 (zero e 6 meses) e três doses para maiores de 16 anos (zero, 1 e 6 meses).

HPV

HPV (Papiloma Vírus Humano)

A vacina contra o HPV é uma vacina contra o câncer. Sua eficácia está comprovada na redução do câncer de colo de útero, pênis, anal e orofaringe.

Pode e deve ser aplicada em meninos e meninas, durante a adolescência. Quanto mais precoce neste período maiores são as taxas de sucesso.

A vacina quadrivalente protege contra 4 sorotipos do HPV (tipos 6, 11, 16 e 18), que são os mais associados ao câncer genital, anal e de orofaringe.

O esquema de doses completo pode ser de duas a três doses (zero, 1 a 2 e 6 meses) dependendo da prescrição médica.

O PNI (Programa Nacional de Imunizações) adotou duas doses no esquema zero e 6 meses e indica a vacinação para meninas de 9 a 14 anos e meninos dos 11 aos 14 anos.

Mulher segurando uma plaquinha escrita HPV

dTpa

Tríplice bacteriana acelular do tipo adulto (dTpa: difteria, tétano e coqueluche) ou dTpa-IPV associada à poliomielite

Esta vacina protege contra o tétano, a difteria, coqueluche e se combinada, contra a poliomielite.

A coqueluche é uma doença de alto risco para recém nascidos, lactentes e imunodeprimidos portanto, a vacinação contra a coqueluche é importante para proteção individual e em especial, para a redução da transmissão comunitária da bactéria Bordetella pertussis, causadora da coqueluche.

Para adolescentes que possuem o esquema completo na infância é necessário um reforço da dTpa com 11 anos de idade. Se o esquema estiver incompleto ou desconhecido, são aplicadas 3 doses de vacina, sendo a primeira uma dose de dTpa e posteriormente mais duas doses de dT (dupla tipo adulto).

Varicela

Varicela (catapora)

A varicela é uma patologia aparentemente benigna, mas que evolui com quadro clínico mais severo em adolescentes e adultos, podendo causar pneumonia, encefalite, pericardite, hepatite e infecção generalizada (sepsis).

Para gestantes existe o risco de ocorrer a síndrome da varicela congênita, que pode causar mal formações no feto.

O esquema vacinal para adolescentes que não tiveram varicela e não foram vacinados previamente é de duas doses da vacina de varicela, com intervalo de 3 meses para menores de 13 anos e de 2 meses a partir desta idade.

Meningite

Meningite meningocócica conjugada ACWY

A adolescência é uma faixa etária de risco e alta incidência da doença meningocócica.

A ocorrência de cada tipo de meningite (A, C, W e Y) depende da estação do ano, da localidade, da faixa etária e outras variáveis.

O esquema vacinal para adolescentes que não foram vacinados na infância é composto por duas doses da vacina ACWY com intervalo de cinco anos.

Para os vacinados é necessário um reforço aos 11 anos de idade ou cinco anos após a última dose.

O PNI disponibiliza a vacina meningocócica tipo C aos adolescentes entre 11 e 13 anos de idade.

Meningite meningocócica tipo B recombinante

A meningite meningocócica do tipo B pode acometer adolescentes, inclusive evoluindo para complicações.

O esquema vacinal é composto por duas doses com intervalo de um a dois meses entre elas.

Febre amarela

Febre amarela

A febre amarela é endêmica no Brasil. E isso significa que residentes ou viajantes para áreas de risco que não tenham sido vacinados previamente estão suscetíveis a serem contaminados.

A vacina é aplicada em dose única e é importante que seja aplicada pelo menos 10 dias antes da viagem para áreas de risco ou para locais com exigências sanitárias neste sentido.

Gripe (influenza)

Vacina contra influenza (gripe)

A vacina contra a gripe é de aplicação anual. A vacinação do adolescente, além do benefício da proteção individual contra a infecção pelo influenza, proporciona a redução da circulação do vírus e contaminação dos grupos de risco.

 

Veja também: Tudo sobre febre amarela

Veja onde se vacinar em Locais de Aplicação

Vacinas por Perfil

Aqui você encontra todas as vacinas que você deve tomar de acordo com seu perfil e cuidados ao viajar.

MaisLidas